1. Curvar-se é quase uma arte

Os japoneses vivem sob rígidos códigos e muitos são de tamanha sutileza, que poucos estrangeiros poderiam notar ou compreender.Entre os hábitos mais comuns e que levam ao conhecimento da cultura japonesa está a imposição de uma curvatura nas costas.De costas em arco, os japoneses dizem olá, despedem-se, demonstram gratidão ou arrependimento. Curvar as costas significa ter respeito. A reverência formal logo leva à imagem do povo japonês.Outro símbolo que logo conduz à imagem do Japão está nos calçados, que são retirados à entrada de casas, templos e, até mesmo, restaurantes. Por tradição, os japoneses retiram os sapatos para dormir, sentar e comer. Como as refeições são feitas em tatâmis, retirar os sapatos é uma forma de manter o ambiente higienizado.
2. Ninguém fala no metro

Ninguém faz barulho no metro. Aliás, ninguém fala ou atende o telemóvel, especialmente em espaços públicos com muita gente, como o metro, comboios ou autocarros. É incrível!
Isto porque, a cultura japonesa está centrada no coletivo, não no indivíduo. Atrair a atenção para si, individualmente, é uma linha vermelha que ninguém deve ultrapassar. É por essa razão que, por exemplo, não se vê gente a assoar o nariz em público. Nisto, como em tudo o resto, o meu conselho é sempre o mesmo: faça como os locais.
3. Não se fuma na rua
Há cidades com bairros inteiros assinalados como smoke free; entre os quais, normalmente, zonas turísticas e centros históricos. E não estou a falar do interior de templos e outros santuários; mas sim das ruas, dos passeios, dos jardins (antes que pergunte, a resposta é não; não se pode sentar num banco de jardim e fumar!).
Dizem os japoneses que o cigarro é como uma arma. Que a ponta de um cigarro aceso está a centenas de graus centígrados, anda à altura da cabeça de uma criança e, por isso, é um perigo. É uma argumentação válida mas eu julgo que não se fuma na rua, antes de tudo, por uma questão de respeito pelo próximo; na lógica de que ninguém tem de apanhar com o fumo dos outros. E ninguém fuma.
Note que há algumas (poucas) zonas específicas para fumadores na via pública (junto às estações de metro, por exemplo).
5. Os japoneses usam máscaras hospitalares para proteger os outros

A gripe das aves já lá vai há muitos anos, mas os japoneses usam máscaras. Na rua, no metro, em todo o lado onde há aglomerados de pessoas. Sim, é provável que veja muita gente com máscara na cara; mas o curioso é que as usam, não para se defenderem, mas sim para evitar contagiar o próximo. Estando doentes, a preocupação é não contagiar outras pessoas. Lá está: respeito pelo outro; pensar no coletivo.
6. Sorver os noodles com barulho é normal

No que toca à etiqueta na mesa, não tenha vergonha de sorver os noodles – seja massas udon, ramen ou soba – e fazer barulho a comer. Pelo contrário, no Japão é considerado boa educação fazê-lo, porque mostra o quanto está a apreciar a comida.
A propósito, há duas outras pequenas coisas que deve ter em atenção durante uma refeição. Primeiro, o guardanapo que lhe oferecem no início é para limpar as mãos antes de começar a comer; nunca o use durante a refeição para limpar a boca. Segundo, nunca deve espetar os pauzinhos verticalmente numa taça de arroz; é extremamente deselegante, por fazer lembrar os funerais.
7. Oferecer gorjeta é insultuoso

Uma vez, junto ao Castelo de Matsumoto, um velhote simpático ofereceu-se para mostrar o castelo. Apesar de ter um letreiro dizendo que as visitas guiadas eram gratuitas, muitos turistas desconfiavam. À conversa com ele, fez questão de enfatizar não só que os seus serviços eram gratuitos (ele era um reformado voluntário que fazia aquilo por prazer), como também que recusava gorjetas.
Vem isto a propósito do facto de, no Japão, tentar oferecer gorjeta a alguém é considerado um pouco rude, quase insultuoso. Não faça isso. Seja num táxi, restaurante ou guia turístico

